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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Acorda Blumenau

Dona Maria perdeu tudo. Foi-se a casinha, os móveis, a comida que estava na dispensa. Um deslizamento de terra provocou o desabamento da pequena casa que ela morava com o marido e os quatro filhos. A família de dona Maria é uma das quase 100 famílias da cidade que estão desabrigadas. A maioria, cerca de 60, são moradoras da região da Rua Coripós. Outras 30 da Rua Pedro Kraus. Toda essa tragédia é por causa das chuvas dos últimos dois meses.

Deslizamentos em Blumenau não são novidades. Famílias invadindo morro, também não. Construção em áreas irregulares, áreas verdes e sobre córregos são comuns. Aí aparece o governo municipal e culpa as invasões. E eu pergunto: cadê a fiscalização? Se você for à prefeitura, cumprir todas as etapas de uma construção regular, pagar engenheiro e os encargos sabe quem vai aparecer na sua construção? Um fiscal. Porque eles não vão aos morros? Medo? Incompetência?

O governo alega não ter fiscais suficientes. Pois bem. Eu, sim eu mesmo, construí um muro de contenção e dei uma “arrumada” em casa. Tudo como manda o figurino. Autorização para terraplenagem, para o muro, planta da construção do puxadinho. Em seis dias, seis vezes o fiscal apareceu. Em cada uma delas solicitou os mesmos documentos. Olhou e foi embora. Sempre com o argumento que havia recebido uma denúncia. Enquanto isso, pelo menos seis casas foram construídas no alto do morro, na encosta, sem ninguém sequer olhar para o local.

É muito fácil culpar a invasão. Criticar quem vem de fora em busca de vida nova e é enganado por aproveitadores que vendem terras irregulares. E preste atenção, estas pessoas moram em locais considerados irregulares pela prefeitura, mas são obrigadas a pagar IPTU. Não tem algo errado aí? O governo não investe em prevenção e agora tem cerca de 100 famílias para dar abrigo. O que custa mais caro? Você já pensou nisso quando foi votar? Ou é daqueles que fica contente porque passou asfalto na frente de casa e, por favor, ne? pagou por isso! Ta na hora de acordar!

Até quando usuários de ônibus vão pagar o pato?

Chegou novembro. Oba, sol, calor, praia. Nada disso. Chuva, alagamentos, deslizamentos. Nada de praia, nada de entusiasmo, nada de ônibus. É, ônibus! Se você não depende deles, então descarte este texto. Mas se este é o seu transporte no dia-a-dia fique sabendo que novembro é data base dos motoristas e cobradores reivindicarem salários. Lembra do ano passado? Paralisações, greve. É nada mudou!

Não houve acordo – aliás, acordo em convenções trabalhistas é coisa rara hoje em dia. Motoristas e cobradores querem 10% de aumento salarial, mais R$ 200 de vale alimentação, rádio nos ônibus, quinta folga para toda a categoria e outras cláusulas. Os empresários oferecem 7,5% de reajuste, menos de R$ 200,00 no vale alimentação e não aceitam algumas cláusulas da convenção. Resultado: você no ponto e o ônibus não vêm.

Ninguém avisa, ninguém dá satisfação. E fica por isso mesmo. Perdeu o horário, chegou atrasado, o patrão descontou? Problema seu! Motoristas e cobradores são trabalhadores, esqueceu? E você, é o que? O que tem a ver com isso? Nada? Puro engano. Você é a força que eles precisam. Mas imagine. Se nós, simples usuários do transporte coletivo, resolvermos nos organizar e não utilizar mais o transporte, o que pode acontecer? Vamos a pé, de carona, de bicicleta, sei lá. Mas não vamos mais de ônibus. Uma semana, três dias, um dia. Já imaginou? O prejuízo das empresas? E os motoristas e cobradores? Eles ficariam com medo de perder o emprego. E nós, que bancamos o salário e o lucro deles, aí sim faríamos nosso verdadeiro papel. Que tal?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Retorno incerto: volta do futsal de Blumenau à Divisão Especial não está garantida

A equipe de futsal AD Hering/Cooper/Fermann/Skina, de Blumenau, ainda não sabe se vai jogar contra os principais times do futsal catarinense em 2009. Depois de conquistar a vaga, os blumenauenses agora buscam recursos financeiros para garantir a participação no campeonato. As reuniões com possíveis patrocinadores já começaram, mas o técnico Jorginho está apreensivo. “Hoje eu não posso afirmar que nós vamos disputar a Divisão Especial”.

O retorno à elite do futsal catarinense é aguardado desde 2005 e quando ela acontece pode esbarrar na falta de dinheiro, necessário para montar um time competitivo que, pelo menos, não vire saco de pancadas na competição. Segundo afirmação do próprio técnico Jorginho, a folha de pagamento pode até triplicar. E mesmo assim, devido ao inflacionado mercado, não seria possível montar um grupo de atletas com condições de chegar entre os primeiros colocados da competição.

A incerteza pela participação não tira a motivação do jovem time blumenauense, que ainda tem pela frente a decisão do campeonato da Primeira Divisão. Serão dois jogos contra a equipe de Pinhalzinho, nos dias 8 e 14/11. A conquista seria um prêmio pela dedicação e esforço do grupo e quem sabe motivação para surgimento de novos parceiros e a conseqüente segurança da participação na Divisão Especial em 2009.

O futsal é atrativo, destacado na imprensa nacional e uma das modalidades mais praticadas no país, depois do futebol. Blumenau é uma das cidades que mais revela talentos nesta modalidade esportiva. Por todo o país, e até fora dele, tem blumenauense se destacando em alguma equipe. Mas porque a cidade não consegue montar um time adulto competitivo? O problema está na falta de apoio financeiro. Faltam parceiros que acreditem no projeto. Falta, talvez, acreditar que o esporte praticado aqui no Vale do Itajaí pode ganhar o país, não apenas o estado. Falta a visão de que uma marca associada ao esporte, quando feita com competência, tem resultados impressionantes. Falta acabar com o pessimismo e unir forças em busca de um objetivo único. Só assim o futsal e outras modalidades que mendigam apoio terão chances de serem reconhecidas.